• Turismo e Património

    21/12/2010 00:00:00

    A freguesia de Silves, sendo bastante "rica" em património, tanto natural como arquitectónico, torna-se uma zona bastante convidativa para visitar toda a sua vasta área. Com efeito, quem gosta de viajar e está a pensar passar por esta maravilhosa freguesia não poderá deixar de visitar os seus locais históricos.

    Castelo de Silves

    Ex-libris da cidade, um dos principais vestígios da arquitectura militar islâmica em Portugal, o castelo distingue-se pelo seu avermelhado conferido pela pedra grés em que é constituído.

    As suas origens são bastante remotas, pois provavelmente já existia quando ali chegaram os romanos, mas sem dúvida, que foi este povo que o transformou em poderoso reduto. Os Árabes embelezaram-no e deram-lhe maior valor bélico. Becre Ibne Yahiá, príncipe muladi de Santa Maria do Algarve (Faro) escolheu-o para sua residência e nele se instalara, mais tarde, o príncipe Banu Mozaine.

     
     
    Sé de Silves

    Sendo da época do domínio muçulmano, mais propriamente do ano © Margarida Carmo Ramosde 1189, a Mesquita Maior terá sido convertida num tempo cristão, depois da primeira conquista portuguesa. Contudo, só quando a cidade foi definitivamente conquistada, os reis de Portugal e Castela pensaram construir nesse local uma nova catedral. Assim, esta terá sido começada a construir no século XIII, por ordem de D. Afonso III. O mestre-de-obras foi Domingos Johanes, cuja lápide sepulcral foi descoberta na antiga sacristia da Sé, datada de 1279, ano provável da sua morte. Devido ao tempo de construção, a Sé de Silves foi iniciada em estilo gótico e concluída em estilo barroco e constituí um dos mais importantes templos do distrito de Faro.


    Ponte Romana

    © Margarida Carmo RamosO Arade, rio que banha a cidade, passa por ela e vai desaguar a Portimão, passando por alguns pontos característicos de Silves. A sua velha Ponte, que possuiu originalmente seis arcos, muito embora possa ter começado por ser romana e seja assim conhecida, apresenta traços do período medieval, com pedra grés vermelha.

     


    Igreja da Misericórdia

    Erguendo-se defronte da velha Sé, deverá ter sido iniciada após a doação da cidade por D. Carlos II à Casa da Rainha, em 1491. A rainha D. Leonor empenhou-se, por certo, em construir uma igreja para a sua Santa Casa da Misericórdia, não obstante não existirem documentos que possam comprovar o mecenato real. O que nela resta de mais antigo é a porta manuelina que possui a nascente.

    O seu interior é de uma só nave abobadada. Possui um retábulo (construção complementar posta atrás e acima de um altar) maneirista do século XVI que foi recentemente restaurado e que decora o altar da capela-mor. Na fachada, a entrada é feita por um pórtico num estilo italiano, do Renascimento tardio, da segunda metade do século XVI.


    Igreja de Nª Senhora dos Mártires

    Presume-se que a sua construção seja da época da reconquista cristã. A © Margarida Carmo Ramosinvocação da Igreja é em honra dos cavaleiros caídos pela reconquista da cidade aos mouros em 1189 e ali, segundo a tradição, foram em parte sepultados (ergue-se ali uma estátua em homenagem a esses mesmos cavaleiros). Apesar de ser muito anterior, esta igreja apresenta, sobretudo, vestígios da época manuelina (século XVI) e esses são mais visíveis na capela-mor, no interior e no exterior. No interior, pode-se observar o arco que lhe dá acesso e o seu abobadamento; no exterior, os típicos merlões [parte saliente de um parapeito que separa duas ameias (cada um dos pequenos parapeitos, separados por intervalos, na parte superior das muralhas e castelos)] e as gárgulas da época de D. Manuel I. O terramoto de 1755, que destruiu parte da igreja, foi responsável pela reconstrução da nova fachada principal, na qual se abre o pórtico em estilo rocócó (estilo que apresenta uma linha de decoração muito exagerada) (1779), muito semelhante ao da Porta do Sol da velha Sé.


    Paços do Concelho

    No ano de 1884, iniciou-se a construção do novo edifício da Câmara, então instalada no Torreão das Portas da Cidade. Devido a esta construção, foram destruídas as casas que existiam na parte setentrional da actual Praça do Município e, também, alguns trechos da muralha. A construção do edifício deve-se a Diogo Manuel Mascarenhas Neto, que em 1880 era Presidente da Câmara. A iniciativa, o projecto e o espaço principal parece se deverem a Gregório Mascarenhas e a direcção dos trabalhos coube ao mestre de obras José Vitorino Mealha. Embora conste na porta principal a data de 1889, só nos anos trinta foi feita a sua conclusão.

    Deste belo edifício, dos séculos XIX/XX, destaca-se o Salão Nobre, o átrio-claustro de inspiração revivalista mudéjar (mourisca) e a clarabóia vidrada que o ilumina. Este edifício alberga quase todos os serviços da Câmara Municipal, assim como o Tribunal Judicial.

    Pelourinho

    Pelourinho manuelino, exposto no largo fronteiro à Câmara Municipal, restaurado no ano 1990, pela Junta de Freguesia.
     






    Torreão das Portas da Cidade

    © António BaetaResta apenas a torre albarrã [torre que se destaca da muralha através de um passadiço; criação genuína da engenharia militar Almóada, a albarrã, quando se colocavam junto a entradas, dificultavam a utilização de engenhos (aríetes, por exemplo) usados para derrubar portas] em grés, imponente, e o resto da muralha defensiva que rodeava a Almedina de Silves na época muçulmana e que protegia a principal porta da cidade.



    Museu Arqueológico Municipal

     

    Este museu alberga grande parte da colecção arqueológica municipal e que protege uma rara peça de construção islâmica.

     


    Teatro Gregório Mascarenhas

    O edifício do teatro, apresenta uma estrutura em ferro, recoberta por uma decoração em cartão imitando estuque, capitéis (parte mais elevada de uma coluna ou de uma pilastra), cariátides (figura de mulher que serva de base a uma arquitrave) e florão (ornato circular no centro de um texto), uma porta Arte Nova que dá acesso aos camarotes e um arco da boca de cena. Todo o edifício foi recentemente restaurado.



    Museu da Cortiça

    Integrado no interior da Fábrica do Inglês, recuperado de uma velha fábrica de cortiça do mesmo nome, hoje com fins turísticos, este museu, recuperou totalmente todo o material ali existente, tem hoje um espólio bastante diversificado o qual recebeu, no ano de 2001, o Prémio Lugi Micheletti para o melhor museu industrial europeu (Encerrado desde 2010).




    Edifício da Sede da Freguesia

    O edifício, que hoje alberga a sede da Junta de Freguesia de Silves, foi outrora Escola Industrial e Comercial e Silves – a chamada “Escola Velha”. O primeiro ano lectivo teve inicio em 1930/1931 e o último em 1958/1959. Seu patrono, o poeta João de Deus, que a Junta de Freguesia e Silves exibe sua escultura, numa das paredes interiores, deste edifício assim se homenageando o poeta, natural deste concelho. Este edifício, hoje sede da Junta de freguesia de Silves, é composto, no rés do chão, pela secretaria, arquivo e arrumação e no primeiro andar, uma pequena biblioteca, o salão, onde se reúne a Assembleia de Freguesia, sala polivalente, gabinete do Presidente e um arquivo.

     


    Cruz de Portugal:

    A Cruz de Portugal é um cruzeiro, de época indeterminada, situada a Oriente da cidade, num local que lhe recebeu o seu nome. À sua origem se atribuem diversas versões. Atribui-se à época do Mosteiro da Batalha, porque é de estilo gótico florido e se sabe que D. João I determinara que muitos cruzeiros feitos em madeira, estavam em vias de desaparecer, e tinha receio que os mesmos fossem substituídos por outros em pedra. É no entanto muito provável que a Cruz de Portugal, cujo nome parece indicar que ela veio para cá, trazida do Norte ou Centro do país, numa altura em que entre o povo ainda faria distinção entre Portugal e Algarve, ou seja da época de D. Afonso V e oferecida à cidade pelo mesmo, quando aqui esteve de visita. É de crer ainda e por insígnias, que o falecido pintor Samora Barros opinava ser manuelina, que o monumento tenha sido dado a Silves quando da trasladação para o Mosteiro da Batalha dos restos mortais de D.João II que aqui esteve sepultado.

     
    Barragem do Arade:

    A Barragem de Arade situa-se no distrito de Faro, no concelho e a maior parte na freguesia de Silves, na localidade de Casa Queimada.

    É alimentada pelo curso de água do rio Arade, cujo comprimento é de 56 quilómetros. Pertence à bacia hidrográfica do Arade, possuindo esta última uma área de 223,67 km2. A construção da barragem foi concluída em 1955, tendo entrado em funcionamento no ano de 1956. O seu muro é de terra e forrado a pedra, com uma altura de 50 metros. A sua albufeira tem uma capacidade total de armazenamento de água de 28 390 x 103 m3, uma capacidade útil de 26 981 x 103 m3, um volume morto de 1409 x 103 m3, possuindo uma superfície inundável ao NPA de 182,0 hectares. As cotas de água na albufeira são: NPA (Nível Pleno de Armazenamento) de 61,0 metros, NMC (Nível Máximo de Cheia) de 62,5 metros e NME (Nível Mínimo de Exploração) de 34,5 metros. O escoamento médio anual é de 379 hm3 e a capacidade do descarregador é de 500m3/s. O tipo de aproveitamento hidráulico da Barragem de Arade tem exclusivamente como objectivo o fornecimento de água para uso hidroagrícola a todo o concelho em que esta se insere, numa extensão de 1900 hectares.