• Lendas e Crendices

    11/05/2012 00:00:00

    LENDAS E CRENDICES

    LENDA DA MOURA ENCANTADA

     
    Depois da conquista cristã formou-se no povo de Silves uma Lenda que ainda hoje perdura.
    Na noite de S.João, á meia-noite, aparece na Cisterna Grande do Castelo (cisterma chamada mourisca) uma moira encantada, navegando sobre as águas, numa barca de prata com remos de ouro e entoando hinos da sua raça. É uma princesa encantada que aguarda apenas a chegada de um príncipe da sua fé que prenuncie as palavras necessárias para o seu desencanto.

            LENDA DAS AMENDOEIRAS EM FLOR 
      
    É muita antiga esta lenda das amendoeiras e foi atribuida a muitas regiões.
    Parece que tem as suas origens mais remotas na Pérsia, país tradicional de amendoeiras e de gentileza. No entanto, ela surge também na Turquia e em todo o Próximo Oriente.
    Em Espanha foi atribuida à cidade de Córdova e a Sevilha. No Garbe portugês foi atribuída a Silves.
    Um rei muçulmano, Al-Mo´tamide ou Aben Mafom, teria mandado plantar pelos montes em volta do seu castelo, amendoeiras em enorme quantidade para satisfazer os desejos de sua esposa, uma cristã do Norte que morria de saudades por não ver a neve dos altos píncaros.
    Uma vez despontadas as flores, a princesa, vendo tudo de branco coberto, passou a sentir-se como em sua casa e não mais pensou em voltar ao seu país.
    Hoje, as amendoeiras invadiram toda a cerca do Castelo de Silves, transformando todo o Castelo, na época própria, num enorme açafate de flores brancas com leves tonalidades de róseo. a princesa, se ainda aí vivesse, poderia brincar com as flores de amendoeira como com flocos de neve. 
     
    LENDA DOS TALISMANES
    Ao Alcácer Axarájibe que existiu no local onde presentemente se encontra o Castelo de Silves, se atribui uma interessante lenda a que faz alusão a evocação de Ibne Cacane e qur constitui o motivo das suas comparações imaginosas e ditirâmbicas.
    Segundo essa lenda, existiriam, enterrados no Castelo de Silves, una talismanes que quando aí se encontravam no seu esconderijo faziam a grandeza do Castelo mas, quando d´aí eram retirados, isso provocava a sua ruina. Tal lenda tem o seu fundamento no costume oriental de se colocar sempre uns talismanes sob o edifício que se constroi para lhe das sorte.
    Pode-se, com verdade, perguntar quem teria retirado do castelo esses talismanes preciosos para que ele tivesse estado reduzido a ruinas durante tanto tempo e que se passa agora com os talismanes para que apresente um aspecto remoçado.
     
    LENDA DO MOIRO DE CHAPÉU DE ABA LARGA
     Segundo Ataíde de Oliveira, há também, no Castelo de Silves, a lenda de um moiro encantado.
    Ele apareceria, com o seu amplo chapéu de aba larga, de manhã, na parte norte do Castelo, desefiando as pobres
    lavadeiras que íam lavar as pequenas toalhas de água que por aí surgiam. Dum modo geral, as lavadeiras faziam--lhe surriada e então ele vingava-se fazendo desencadearem-se sobre elas torrenciais chuvas de pedra.
    Quando no Castelo foram instalads as prisões, o moiro de chapéu de aba larga desapareceu. No entanto, os presos diziam que todas as noites sentiam, pela meia noite, um estremecimento em todo o Castelo e ouviam, até de madrugada, o moiro remexendo em papéis velhos.
       
     LENDA DA ZORRA BERRADEIRA
     É também lenda muito antiga de Silves a da Zorra Berradeira.
    Segundo esta lenda havia no Odelouca uma zorra berradeira que durante a noite atroava os ares com os seus berros.
    A zorra berradeira era um verdadeiro monstro. Com o aspecto de cabra, tinha silvos de fúria. Os seus berros, de noite, anunciavam desgraça iminente. Ninguém os queria ouvir. Contavam-se casos de pessoas que os tinham ouvido logo, lhes haviam sucedido tremendos desastres, sobretudo mortes de entes queridos.
     
    LENDA DA VELHA DAS CASTANHAS
    No Serro a ocidente dá foz do Odelouca e em frente da Ilha de Nossa Senhora do Rosário existe uma furna conhecida por Furna da Velha das Castanhas.
    Diz-se que vivia aí uma velha muito feia e má que estava sempre assando castanhas. Quando algum barco aí passava, descendo o rio, deviam os que fossem nele lançar-lhe uma moeda, sem o que a velha fazia bruxaria e metia o barco no fundo.
    Esta lenda parece ter a sua origem num imposto de portagem, mas, por outros lado, liga-se misteriosamente com a ada Zorra Berradeira, pois a furna tem também o nome de furna da Zorra.


    LENDA DO PEGO DO PULO
    O Pego do Pulo, segundo informação que tomei, fica junto da Fonte Nova, na curva que o rio Arade faz, depois do Cais, para tomar o rumo de Matamouros.
    Diz a lenda que aí morreu Aben Mafom, último rei árabe de Silves, quando procurava a salvação na fuga. 
    Homens antigos de Silves aseguravam que à meia noite, na noite de S. João, se ouvia nítidamente nesse local, o ruído do galope do cavalo de Aben mafom até ao Pego, depois alguém bradar " salta meu cavalo!" e finalmente, o estrondo da queda do cavalço na água e o estertor do cavalo e do cavaleiro, enquanto outros galopavam fugindo dos portugueses.